CRETA na cor chumbo na rua durante o dia.

Como o motor flex virou referência no mercado brasileiro

O Brasil tem uma das histórias mais relevantes no desenvolvimento e na adoção da tecnologia flex. Por aqui, os motoristas aderiram ao sistema porque ele acompanha a forma de abastecer no país.

O motor flex chegou ao Brasil para mudar a relação do motorista com o posto de abastecimento. Com ele, a escolha entre gasolina e etanol acontece a cada visita ao posto, sem ajustes no veículo. A central eletrônica identifica o que entra no tanque e calibra o funcionamento do motor durante a condução.

O que é um motor flex e como ele surgiu no Brasil?

Um motor flex é um propulsor desenvolvido para aceitar gasolina, etanol ou qualquer mistura dos dois. O motorista decide a cada abastecimento qual opção usar, com liberdade de misturar os dois no mesmo tanque. Antes, você era obrigado a escolher entre um modelo que suportasse apenas um tipo de combustível.

A tecnologia foi desenvolvida no Brasil e chegou oficialmente ao mercado nacional em 2003, com um conjunto preparado para as características de ambos. A tecnologia foi bem recebida e caiu no gosto do motorista. Segundo a Anfavea, em 2005 os modelos flex já superavam os modelos a gasolina em volume de vendas.

A vantagem aparece quando o preço muda ou quando um dos combustíveis atende melhor ao trajeto planejado. Dessa forma, aquela ideia de que o tanque precisa ser abastecido com apenas um tipo é mito. Essa liberdade depende de uma tarefa invisível ao volante que você não percebe. O sistema precisa reconhecer de forma inteligente o conteúdo do tanque enquanto o veículo roda.

Como o motor flex reconhece o combustível?

O motor flex reconhece a composição presente no tanque por meio do gerenciamento eletrônico do motor. O sistema usa dados da combustão para ler o que foi abastecido e aplica a configuração correta para aquela mistura. A octanagem do etanol é maior que a da gasolina. Por isso, a central ajusta a injeção e o ponto de ignição para proporcionar a melhor queima.

Você pode chegar ao posto com etanol no reservatório e completar o abastecimento com gasolina. Enquanto o carro roda, o controle eletrônico reconhece sozinho essa mudança e adota os ajustes necessários. A central repete o aprendizado ao fazer a troca também no sentido inverso, seguindo o mesmo processo.

Ao trocar o combustível, dirija pelo menos 5 quilômetros antes de estacionar. Esse percurso garante que o sistema conclua a leitura da nova composição antes da próxima partida. Ao ligar o carro novamente, a central já terá concluído o reconhecimento e o motor arranca com os ajustes certos. Na próxima visita ao posto, a opção pode ser trocada novamente no mesmo processo.

Quais combustíveis um motor flex pode usar?

Um motor flex opera somente com gasolina e etanol, mas os limites do sistema estão no projeto original do veículo. Diesel e GNV funcionam com tecnologias distintas e exigem componentes específicos, incompatíveis com o sistema flex. Usar um combustível fora do projeto pode danificar peças e comprometer o funcionamento do conjunto.

Na hora de escolher o veículo, checar a motorização evita surpresas com insumos incompatíveis. Cada tipo de combustível tem uma estrutura própria:

  • Etanol: queima mais rápido e libera mais energia por ciclo de combustão, o que eleva a potência do motor. É compatível com motores flex e com propulsores dedicados ao etanol.
  • Gasolina: oferece queima mais lenta e consumo por litro menor, o que resulta em mais quilômetros a cada abastecimento. Opera em motores dedicados à gasolina ou em qualquer motor flex.
  • Diesel: exige pistões de alta taxa de compressão e bomba injetora própria. Essa estrutura ativa a combustão pelo calor do ar comprimido em um ciclo projetado apenas para esse combustível. Não é compatível com motores tradicionais.
  • GNV: usa cilindro e tubulações próprios, instalados por meio de uma conversão certificada que não passa pelo tanque de combustível comum.

No CRETA, a tecnologia Flex está disponível nas versões equipadas com os motores 1.0 Turbo GDI Flex e 1.6 Turbo GDI Flex. As duas motorizações aplicam o mesmo princípio da queima de combustível. Isso significa que tentar abastecer com diesel causará falhas graves no motor. Você corre o risco de entupir o sistema de injeção e provocar danos severos caso o veículo seja ligado.

O Novo Hyundai i20 e o HB20 também usam o 1.0 Turbo GDI Flex ou o 1.0 Flex aspirado, dependendo da versão. Ser turbo ou aspirado não muda o combustível do carro, pois a diferença está na entrega de potência. O que pede atenção é a temperatura. Com etanol puro e frio intenso, a partida pode demorar mais.

Vista superior do i20 estacionado na rua com homem abrindo a porta.

Como o frio afeta a partida do motor flex?

Em temperaturas muito baixas, o etanol evapora menos e pode dificultar a partida quando está sozinho no tanque. Essa questão aparece apenas ao ligar o veículo. Depois da partida, o carro segue o trajeto como de costume. Ao adicionar gasolina no tanque, a mistura favorece a vaporização e reduz essa dificuldade.

Quem dirigiu os primeiros carros flex pode se lembrar do pequeno reservatório de gasolina no compartimento do motor. O conhecido tanquinho de partida a frio ajudava na ignição em dias mais gelados. Nos sistemas atuais, os veículos aquecem o combustível antes do acionamento e dispensam o uso do reservatório.

O Novo Hyundai i20 é equipado com pré-aquecimento e uma luz no painel de instrumentos indica que o sistema está ativo. Se ela aparecer ao ligar a ignição, aguarde até que se apague para dar a partida. Esse é um dos procedimentos que ajudam a manter o bom funcionamento do motor. Mas o que garante de verdade sua vida útil são as manutenções corretas.

Motor flex exige cuidados diferentes na manutenção?

Motor flex e motor monocombustível seguem o mesmo plano de manutenção do fabricante. Alternar entre gasolina, etanol ou a mistura não muda os intervalos de troca de óleo, filtros ou revisão geral. O que preserva o conjunto é a qualidade do insumo e o cumprimento dos intervalos previstos.

A motorização foi projetada para operar com ambas as opções durante toda a sua vida útil. Por isso, você pode abastecer por meses com a mesma opção e mudar quando quiser. Esse hábito não vicia o motor nem cria a necessidade de alternar por calendário. A conservação depende dos prazos e das especificações definidos para aquela motorização.

Nas revisões planejadas, a troca de óleo e dos filtros deve respeitar os intervalos indicados no calendário da montadora. Esses cuidados conservam os componentes e mantêm viva a liberdade de escolha que o flex oferece. Essa facilidade do dia a dia e a manutenção correta é o que faz a tecnologia continuar atual no mercado brasileiro.

A tecnologia brasileira que segue atual no mercado

Mais de duas décadas após chegar ao mercado nacional, o sistema flex continua presente em modelos compactos, SUVs e esportivos. Poucos países possuem uma rede de abastecimento com dois tipos de combustíveis para carros de passeio. E os fabricantes incorporaram a tecnologia a diferentes níveis de potência e propostas de condução.

A Hyundai leva essa tecnologia a diferentes modelos da sua linha, do compacto ao SUV. Cada motor foi calibrado para entregar a potência certa a cada perfil de condução. O resultado é uma gama que combina liberdade de abastecimento com desempenho ajustado a cada proposta.

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